"Em certo dia de data incerta um galo velho e uma galinha nova encontraram-se no fundo de um quintal, entre uma bicada e outra, trocaram impressões sobre como o mundo estava mudado. o galo, porém, fez questão de frisar que sempre vivera bem, tivera muitas galinhas em sua vida sentimental e agora, velho e cansado, esperava calmamente o fim de seus dias.
-Ainda bem que você está satisfeito- disse a galinha.
-E tem razão de estar, pois é galo. Mas eu, galinha, fêmea da espécie, posso estar satisfeita? Não posso. Todo dia pôr ovos, todo semestre chocar ovos, criar pintos, isso é vida? Mas agora a coisa vai mudar. Pode estar certo de que vou levar uma vida de galo, livre e feliz. há já seis meses que não ponho um ovo. a patroa, se quiser, que arranje outra para esses ofícios. Comigo não, violão!

O velho galo ia ponderar filosoficamente que galo é galo e galinha é galinha e que cada ser tem sua função especifica na vida, quando a cozinheira, sorrateiramente, passou a mão no pescoço da doidivanas e saiu com ela esperneando, dizendo bem alto: 'A patroa tem razão: galinha que não choca nem põe ovo só serve mesmo é pra panela'.
Moral: Um trabalho por jornada mantém a faca afastada."
Vamos Contextualizar?
Millôr Fernandes (1923-2012) publicou essa fábula em seu livro Fábulas Fabulosas (1964) e o contexto sócio histórico referente à publicação dessa fábula evidencia o período de mudança que o Brasil sofreu.Na politica houve a instauração da ditadura militar, na economia, o desenvolvimento do processo de industrialização marcado por reivindicações sindicalistas e no social, a influência europeia e americana dos movimentos feministas, principalmente com a entrada da mulher no ambiente de trabalho.A fábula, ao seu ver, continua atual? o contexto agora é outro, como se encaixaria a interpretação dessa fábula atualmente?

O texto mostra alguém que trabalhou muito e reivindica seus direitos de descanso, férias, etc. Mas infelizmente não foi atendida e ainda foi penalizada por reclamar tanto e também por não mais produzir,devido a sua idade.
ResponderExcluirNos dias atuais não é diferente quando se trata de lutar pelos direitos. Pois ainda hoje as reivindicações pelos direitos trabalhistas são muito presente na sociedade e muitas vezes nesta situação o reclamante também é penalizado com a demissão.
Porém, com relação aos direitos conquistados são diversos, mas posso citar dois grandes exemplos: Em 1989,foi criada Delegacia do Trabalho, para todo o tipo de reclamação trabalhista e outra bem atual é o reconhecimento da classe de diarista como empregada doméstica com carteira assinada e tudo. Uma classe que sempre lutou por direitos como: décimo terceiro, férias, licença a maternidade, hora extra, transporte, etc.
Com isso podemos concluir que:
Jamais devemos desistir dos nossos ideais. Em todos os sentidos!
A fábula nos mostra um certo chauvinismo masculino é como se o galo representasse o homem e a galinha a mulher, o galo pode posar de bacana e não fazer "nada" e a galinha tem que fazer tudo, sem descanso, sem reclamar e se tentar reivindicar pode até ser penalizada por isso. É assim mesmo que acontece na vida real, muitos homens acham que lugar de mulher é na cozinha, cuidando de filho.Mais as mulheres estão conseguindo mudar esse quadro, e não esquecem que precisam fazer o que lhe é exigido em seu trabalho e em casa, assim vão crescendo cada vez mais.
ResponderExcluira fabula continua sim muito atual.pois por mais que nos consideremos seres livres, dentro da sociedade cada um exerce um papel... ainda mais no mundo capitalista em que vivemos. ou voces acham que escolhem roupas, sapatos, ou ate mesmo a propria profissao sem a influencia do meio, amigos ou familia ? e quem se encotra a margem desta pressao social muitas vezes nem cosiderado um ser humano e. resumindo muitos tentam e muito ja melhorou como no caso das feministas, mais sim muitos possuem querendo ou nao um papel pre-estabelecido dentro de nossa sociedade.
ResponderExcluirQuando a lama virou pedra e mandacaru secou
ResponderExcluirQuando o Ribação de sede bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina
Paraíba masculina,
Muié macho, sim sinhô
Eita pau pereira que em princesa já roncou
Eita Paraíba muié macho sim sinhô
Eita pau pereira meu bodoque não quebrou
Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
Na década de 50 quando Luiz Gonzaga em parceria com Humberto Teixeira fizeram esta musica que era um jingle político para um candidato a câmara federal, a intenção era chamar a atenção para o estado da Paraíba que mesmo com um nome feminino era um estado “macho” ,haviam muitas mulheres que eram verdadeiros homens,pois tomavam a frente das famílias,papel muito exercido pelos homens.Sustentando, educando,pensando sempre no bem estar de suas famílias,juntamente com seus respectivos parceiros o até mesmo sozinhas sem perder sua feminilidade. Millôr em 1964 trouxe novamente um assunto em que as mulheres há anos buscam por serem valorizadas e este assunto ainda vai perdurar por muito tempo . O fato é que muito já conquistamos sem deixar umas das características mais marcantes que a mulher possui : que é o bem estar dos seus e da sociedade em que vive,essa sempre foi a maior conquista da mulher.
Ah! esqueci de dizer que quem manda na minha casa é a "Galinha". Minha mãe Waldira, cabuca linda lá de Gurupá, que muito lutou e o que temos é principalmente fruto de seu esforço,sem desmerecer também a luta do meu pai.
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